Arquivo da categoria: Artigos

Mensagem do padre Gregory Gay CM para o advento

Um caminho que nos tornará mediadores eficazes das promessas de Deus

Roma, Advento 2015
Caros irmãos e irmãs, membros da Família Vicentina,
As promessas de Deus

“Eu serei o vosso Deus e vós sereis o meu povo” (Levítico 26, 12).
“Jamais meu amor te abandonará” (Isaías 54, 10).
“Livrava o pobre que pedia socorro e o órfão que não tinha apoio” (Jó 29, 12).
“Eis que faço nova todas as coisas … não a vedes? (Isaías 43, 19).
“Todo aquele que vive, e crê em min, nunca morrerá” (João 11, 26).
“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue, permanece em mim e eu nele” (João 6, 56).
“Não vos deixarei órfãos. Voltarei a vós” (João 14, 18).
“Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mateus 28, 20).

Continue lendo Mensagem do padre Gregory Gay CM para o advento

Viver para Servir

Por João Marcos Andrietta

 

O legado deixado por Ozanam permanece atual e espalhando o bem pelo mundo, a partir da promoção humana e social das pessoas que se encontram em situação de pobreza, material e/ou espiritual.

As seguintes lições norteiam a caminhada dos Vicentinos na direção da plenitude da vivência cristã, que é “dar a vida ao próximo”:

1ª lição: Manter sempre na memória as “raízes” que deram origem à SSVP, que foi a provocação recebida por Ozanam – de um colega de universidade – diante do questionamento de que, de nada adiantava “o discurso – das conferências de história – sem a prática”; ou melhor, “a fé sem obras é morta”;

Continue lendo Viver para Servir

Olhar demais para o céu

Pe. Zezinho, scj

Vez por outra encontro sacerdotes ou leigos que dizem que preferem falar do espiritual e que deixam para os outros isso de falar dos problemas pessoais. Como se fosse correto! Nenhum pregador está dispensado de falar contra a tortura, contra o roubo e a corrupção, contra as drogas, contra os assassinatos, contra a exploração dos pobres, contra a injustiça e a escravidão.
Quem nunca entra nesses assuntos, errou de vocação. É como querer levar o chantili sem levar o bolo; ou como pregar apenas a ressurreição sem falar de cruz e de morte. Nenhum cristão está dispensado de falar sobre a dor do povo e as injustiças do nosso tempo. Até porque, falar em favor do povo não é apenas atitude política: é dever de religioso. Quando Ester defendeu seu povo, estava fazendo política. Quando Moisés orou por seu povo fez muito bem. Quando brigou por seu povo, fez muito bem. Mas quando, irado, mandou matar três mil idólatras, fez muito mal. Nisso, ele errou, porque Deus não manda matar ninguém.

O perigo de olhar muito para o céu é que a pessoa corre o risco de ficar cega. Luz, na posição certa, ilumina. Nos olhos, cega! O problema do fanático é bem esse. Acha-se tão iluminado que acaba cego. Os evangelistas dizem que Jesus olhava para o céu de vez em quando ao orar (Mt 14,19; Lc 9,16). Os Atos dos Apóstolos narram que, enquanto os discípulos olhavam para o céu, procurando Jesus, que para lá subira, dois homens de branco,ao lado deles, disseram que não deviam mais procurar Jesus lá em cima e, sim, aqui em baixo, porque um dia ele voltaria (At 1,11). E é bem por isso que muitos de nós religiosos vemos com respeito a teologia da libertação, que consiste em olhar para o irmão ao lado e convidá-lo a trazer um pouco do Céu para a Terra.
Se a Bíblia nos manda olhar menos para o céu, deve ser porque ficar o tempo todo olhando para o céu, além de causar torcicolo é não entender a fé cristã… Se Jesus fazia as duas coisas, devemos fazer o mesmo: orar para o alto em sinal de respeito para com Deus, que é muito maior do que nós, e para o lado, em sinal de respeito para com o Zé da Silva e a Maria das Dores, que precisam de nossos cuidados…

www.padrezezinhoscj.com

Logomarca dos 350 anos da morte de São Vicente e Santa Luisa

O logotipo pretende dar uma visão universal da família vicentina: a Associação Internacional de Caridades, a Congregação da Missão, as Filhas da Caridade, a Sociedade de São Vicente de Paulo e outros ramos.

Da variedade de expressões do carisma na Família Vicentina surge a primeira dificuldade: como traduzir, em uma só imagem, esta diversidade e ainda celebrar a vida dos fundadores?

Durante sua vida Vicente e Luisa vivenciaram a intuição do Espírito Santo e se deixaram conduzir pela sua força, uma força que se traduziu em zelo e caridade e que se manifestou numa dinâmica missionária; a Congregação da Missão, as Filhas da Caridade, as Senhoras da Caridade são prova viva desta criatividade nascida do Espírito.

Logotipo após o falecimento deles em 1660, o Espírito do Senhor continuou suscitando uma força criativa, que deu vida a movimentos e comunidades que acharam no carisma vicentino uma espiritualidade sólida, sempre jovem, e sobretudo uma resposta viva à Igreja e à sociedade.

O logotipo não pretende abarcar tudo, mas é uma proposta. O símbolo está composto por “chamas” de diferentes cores, postas em “quatro” grupos, os quatro horizontes: “o mundo em sua diversidade”. Estas quatro chamas, organizadas desse modo, formam uma “pomba”, símbolo bíblico do Espírito Santo junto com as chamas.

As chamas de fogo são também símbolo da caridade e elas estão representadas no escudo das filhas da Caridade. O símbolo se completa com o texto. Primeiro um lema: “Caridade – Missão”. Lema proposto pela comissão formada para refletir sobre este ano vicentino.

Logotipo abaixo dos nomes dos fundadores, o “período” 1660-2010 e finalmente o “motivo” do logotipo. O tipo de letra proposto é dinâmico, alegre, jovem. Representa bem o espírito da Família Vicentina.

Conhecer mais sobre Ozanam faz bem para todos

Quando as pessoas se propõem a pesquisar ou estudar um determinado assunto que faz parte da história, ou mesmo de alguma personalidade ou de algum Santo, vai descobrir que o seu conhecimento até então, era pequeno ou insuficiente para que pudesse apresentar algo mais profundo e melhor para as pessoas a quem seria apresentada a questão.
Sobre Frederico Ozanam, podemos aplicar o mesmo raciocínio. Na maioria das vezes em que presenciamos algumas palestras sobre ele, estas são sempre superficiais e vazias de conteúdo, que se tornam monótonas, repetitivas e cansativas.
É da maior importância que todo vicentino estude e se aprofunde no conhecimento da vida de Ozanam, para que possa passar uma imagem bem mais positiva do fundador da S.S.V.P., que já foi Beatificado e está aguardando sua Santificação, porque senão corremos o risco de termos como fundador um Santo desconhecido ou ainda pior, pouco estudado por seus seguidores. Temos que saber o que ele fazia, o que pensava, o que gostava, como agia, como falava, o que gostava de comer, de beber, de vestir. Não parece, mas são dados importantíssimos para que o conheçamos mais e melhor. Uma excelente oportunidade para isso é termos nas mãos as suas cartas, que ele sempre escrevia aos seus parentes, amigos e companheiros de todos os dias e que estão todas impressas em livros, a quem se interessar em lê-las evidentemente. Temos nas boas livrarias uma vasta relação de exemplares publicados sobre Frederico Ozanam, de bons autores e até de Confrades e Consocias que se lançaram na grata missão de o tornarem mais conhecido do grande público e principalmente dos nossos vicentinos.
Todo este comentário tem fundamento numa única razão. Ao chegar o mês de Abril, realizamos as nossas Festas Regulamentares em Louvor a Antonio Frederico Ozanam em todos os nossos Conselhos Particulares e presenciamos sempre a mesma dificuldade comum a todos, com a pergunta: “Quem poderá falar sobre Ozanam?”
Aquele Confrade ou aquela Consocia que conhece a vida e obra dele, são sempre os mais sacrificados, porque todo mundo corre atrás para leva-lo para todo lado, eu mesmo sei de um Confrade que num único domingo participou de três Assembléias para falar de Ozanam, visto que os Conselhos não tinham ninguém para isso.
É necessário mudar este quadro e a única solução é termos mais membros vicentinos interessados em conhecer, estudar e aprofundar seus conhecimentos na vida e na obra deste Beato, fundador da nossa querida S.S.V.P. Pensemos com carinho nessa proposta, pois afinal a responsabilidade é de todos nós.
Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

José Carlos de Camargo
Presidente do Conselho Central de Jacareí

E o Verbo se fez carne, não se fez livro

Dom Salvador Paruzzo – Bispo de Ourinhos-SP

Natal não é só o 2010º aniversário do nascimento d’ Ele, mas é a celebração do Emanuel, do Deus conosco. Jesus, o Verbo de Deus, um dia descera entre nós, desempenhara a sua missão de Redentor e depois subiu ao céu, junto do Pai.

Mas a sua presença real permaneceu sobre a terra de várias maneiras: na Eucaristia, na sua Palavra, em cada irmão, entre nós unidos em seu nome, em nossos corações, na hierarquia da Igreja. Uma das presenças reais do Verbo, que é Deus, é, portanto a Palavra de Deus.

Bento XVI na Exortação Apostólica pós – Sinodal recém publicada, “Verbum Domini” afirma: “Na Palavra de Deus proclamada e ouvida e nos Sacramentos, Jesus hoje, aqui e agora, diz a cada um: « Eu sou teu, dou-Me a ti », para que o homem O possa acolher e responder-Lhe dizendo por sua vez: « Eu sou teu ».

Assim a Igreja apresenta-se como o âmbito onde podemos, por graça, experimentar o que diz o Prólogo de João: « A todos os que O receberam, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus » (Jo 1, 12). (n. 50).
Chiara Lubich com suas primeiras companheiras faziam três comunhões cotidianas: comunhão com Jesus Eucaristia, com a Palavra de Vida e com os irmãos.

A Missão Continental, fruto da 5ª Conferência latino americana e caribenha de Aparecida, foi um impulso para tornar-nos todos missionários e lançar-nos numa Nova Evangelização. Somos chamados a gerar Cristo no coração dos irmãos.

“Minha mãe e meus irmãos são todos aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática” (Lc 8,21)
Portanto, existe uma possibilidade admitida por Jesus de sermos de algum modo, sua mãe. Nós podemos gerar Cristo nas almas, como uma mãe gera justamente através a Palavra.
“Se alguém com sua palavra faz nascer o amor do Senhor na alma de um próximo, ele como que gera o Senhor, porque o faz nascer no coração de quem ouve a sua palavra, e se torna mãe do Senhor” (São Gregório Magno)

Muitas vezes experimentei esta verdade.

Uma vez veio ter comigo uma senhora que queria separar do marido, por causa das bebedeiras dele. Ouvi com atenção e no final lembrei a ela o compromisso do casamento “Eu te recebo e Prometo ser fiel na alegria, na tristeza, na saúde e na doença, amando-te e respeitando-te todos os dias da minha vida”. Falei da cruz de Jesus e da nossa. Convidando-a para refletir. A senhora foi embora chorando. Depois de um ano a mesma senhora me procurou para agradecer dizendo: “No ano passado fui embora até revoltada, pois pensei o Bispo não entendeu o que estou sofrendo. Depois fiquei pensando o que eu poderia melhorar. Procurei calar mais e dar mais atenção ao meu marido. Depois de alguns meses meu marido deixou a bebida. Hoje agradeço a Deus porque o meu marido está comigo e os meus filhos têm o pai perto deles.”

Outra vez um homem veio para queixar-se pela maneira pouco transparente em que era administrada a sua paróquia. Ouvi com muita atenção, procurando ver com ele o que poderíamos fazer para ajudar a paróquia. Lembrei das críticas ao apóstolo Pedro, que foram ocasião para fazer nascer os diáconos. De fato quando convidei este irmão para colaborar em vários trabalhos da Diocese, se prontificou com muita generosidade.

Algumas vezes, viajando pela diocese, peço a companhia de um seminarista. A viagem se torna um tempo precioso para rezar e para conversar. Um dia um deles pode partilhar toda a situação difícil de sua família e encontrar a atitude de fé para enfrentar com coragem as dificuldades. Ás vezes Deus permite que passemos dificuldades em família, para ter experiência pessoal e ao longo da vida poder ajudar tantos que passam pelas mesmas dificuldades.

Todo mês temos um dia de retiro do Clero e das religiosas que atuam nas paróquias. Uma vez faltou um dos padres. Percebi que não deveria ficar cobrando, mas amando. No dia seguinte fui de carro até a cidade onde ele morava, para fazer uma visita e saber se estava bem de saúde. Nasceu com aquele padre um novo relacionamento de abertura e confiança.

Nos encontros com os colegas Bispos, ouvi alguns que estavam com dificuldades financeiras para acertar as mensalidades dos seminaristas. Voltando para casa senti que poderia ajudar os colegas com mais dificuldades. Liguei para eles e ofereci um empréstimo da minha Diocese a ser devolvido sem pressa. Percebi a alegria deles, e cresceu a nossa fraternidade.

Participando a um encontro internacional de Bispos na Suíça notei um colega vindo da África que estava passando frio. Foi a ocasião para oferecer o meu agasalho; o colega ficou muito agradecido. Um ano depois, vi aquele colega usando aquele mesmo agasalho.

Na Visita ad Limina em Novembro de 2009 preparando-me para encontrar o Santo Padre pensei o que poderia comunicar para dar-lhe alegria. Falei com ele do compromisso de fazer da Diocese “a Casa e a Escola da comunhão”. Falei da variedade de Congregações religiosas masculinas e femininas, dos Movimentos e Novas Comunidades, das Associações e Irmandades, que trabalham unidas nos projetos pastorais de evangelização. E ele sublinhou: “É muito bom caminhar unidos.” com um sorriso de complacência.

Ainda maior a sua maravilha quando relatei dos vários encontros realizados com Pastores de outras Igrejas: Assembléia de Deus, Congregação Cristã do Brasil, Adventistas, Presbiterianos, Batistas, Metodistas. Ele exclamou: “Esta é uma coisa muito interessante, que ouço pela primeira vez”.

O Servo de Deus Card. Van Thuan quando estava na prisão de Phu – Khanh escreveu: “Observa uma única regra: o Evangelho. Esta norma está acima de todas as demais. É a regra que o próprio Jesus deixou para os seus discípulos (cf. Mt 4,19). Não é difícil nem mesmo complicada ou legalista como as outras regras. Ao contrário, é dinâmica e estimulante para o teu espírito. Um santo longe do evangelho é um santo falso”.

Preparando-nos para a festa do Natal queremos pedir a Nossa Senhora, que acolheu Jesus em seu seio e em seu coração, que nos ajude a fazer da Palavra o alimento quotidiano de nossa vida e que como ela possamos dizer a cada momento: “Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a vossa Palavra”

“O Cirineu e o Vicentino”

Por José Carlos de Camargo

Estava fazendo uma reflexão em cima de um fato ocorrido com Jesus Cristo, que é narrado no Evangelho de São Marcos, Capítulo 15, versículo 21, onde ele conta o fato sobre a difícil e penosa caminhada de Jesus para o Calvário, levando sobre seus ombros esfolados e ensangüentados a sua pesada cruz, quando os soldados pegaram um camponês da cidade de Cirene, chamado Simão, que passava por ali, e o obrigaram a carregar a cruz junto com Jesus, para que assim Ele pudesse ter um pouco mais de força e pudesse chegar até o local da crucificação, e então lá ser morto.
Pude então constatar que todos nós temos duas cruzes para ser carregada todos os dias da nossa vida, seja onde e como for.
Trata-se da nossa cruz abstrata e a nossa cruz concreta.
O próprio Cristo teve a sua cruz abstrata, que era, assim como a nossa de hoje, aquela que dá a sua preocupação do dia-a-dia, e que ninguém vê.
Ele pregava, curava, andava por todo lado falando do Pai e do Reino, dava instrução aos seus discípulos, não podia descuidar dos fariseus que queriam “pegá-lo” de alguma forma naquilo que ensinava e falava, enfrentava pecadores e perseguidores, enfim, a cruz abstrata de Jesus também era grande.
O fato de Jesus Cristo ser o Filho de Deus e chamá-lo de “Abba” Pai, foi para os judeus da época uma loucura e fez com que Ele ganhasse a sua cruz concreta, real, de madeira maciça, grossa, pesada, afinal um homem com mais de 1 metro e 80 centímetros, robusto como Jesus, não poderia ser pregado numa cruzinha qualquer. E o sofrimento Dele embaixo daquele peso nós já conhecemos, assim como sua agonia sobre ela.
Voltando para o caso do camponês de Cirene, tenho certeza que também ele tinha a sua cruz abstrata, pois afinal a vida no campo não é lá nenhum mar de rosas. Quantas tribulações e preocupações poderiam estar pesando sobre Simão, o Cirineu? Para aqueles soldados não interessava, o Cirineu também teve a sua cruz concreta, verdadeira e ele ajudou aquele Cristo sofredor, mutilado, ensangüentado e miserável, deu um pouco de si para socorrer quem precisava dele naquela hora. Claro que depois ele teve a sua recompensa, pois com aquele gesto de solidariedade veio a sua conversão e conseqüente salvação.
Assim somos todos nós, vicentinos, confrades ou consocias. Com dois ombros que recebemos de Deus, carregamos de um lado a nossa cruz abstrata, cheia de problemas, preocupações, transtornos, provações, e que ninguém vê também, mas que nós próprios e Deus sabemos quais são, e no outro lado carregamos a nossa cruz concreta, verdadeira, bem mais leve que a de Cristo e do Cirineu é verdade, mas é real e verdadeira também, e essa cruz é o nosso pobre, o nosso assistido, o outro Cristo dos dias de hoje, que sofre e que padece de várias misérias e que tem muitas necessidades.
Meditando sobre mais esse ensinamento divino para minha vida, pude entender e compreender melhor porque todo vicentino também é um cirineu.
Que a nossa cruz concreta seja mais importante que a nossa cruz abstrata e faça que mude a nossa vida da mesma forma que mudou a vida do camponês Simão Cirineu.
Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

O autor é vicentino há 32 anos e Presidente do Conselho Central de Jacareí e formado em Teologia Diaconal pelo Instituto Santa Terezinha da Diocese de São José dos Campos.

Pecadores Profissionais

No princípio do mundo, Deus criou tudo que existe e quando viu que tudo estava do Seu agrado criou então o homem, à Sua imagem e semelhança e mandou-o reinar sobre todas as coisas que estavam criadas.
O que aconteceu no entanto, foi que Deus percebeu que a sua última obra de arte, o último ser criado, seria o que mais trabalho iria lhe dar, porque pelo fato de ser o mais inteligente, apresentou-se desde o princípio como sendo um ser desobediente, teimoso, mentiroso, invejoso, maldoso, que não assume seus erros e coloca a culpa nos outros.
Resumindo, o homem tornou-se pecador desde a sua criação.
Deus não criou o homem pecador, criou o homem santo, puro, como Ele é Santo.
Foi de livre e expontânea vontade que o homem optou por ser pecador, e aprendeu a pecar tanto, de tantas formas diferentes que se transformou em especialista.
Tornou-se pecador profissional. A escolha foi dele e essa decisão foi desastrosa para o ser humano, hoje pecamos por atos e omissões, com vontade ou sem vontade, pecamos pelo que fazemos e pelo que não fazemos, pecamos todos os dias, sendo dia ou sendo noite.
Não existe relógio para marcar a hora do pecado, pois peca-se a qualquer momento e isso é tão sério e tão grave que o homem peca afirmando que o pecado não existe.
No entanto, com a consciência divina que o Pai do céu tem de toda essa situação, Ele não quer e nem deseja perder nenhum de seus filhos, estando mesmo disposto a relevar e perdoar nossos pecados, ao ponto de permitir a crucificação e morte do Seu Filho primogênito para que toda a humanidade fosse redimida definitivamente.
Fica para nós então, pecadores profissionais, a certeza e o conforto de podermos contar com a misericórdia do Pai Eterno que quer nos perdoar, visto que o próprio Apóstolo Paulo já afirma isso: “Onde abundou o pecado, superabundou a graça”. (Rm 5, 20)
É necessário apenas que reconheçamos a nossa condição de fraqueza e de pecadores e que saibamos confessar correta e dignamente nossos pecados, para obter de Deus o perdão, porque com certeza Ele usa de misericórdia para com o pecador arrependido.
Foi para isso que Jesus Cristo se ofereceu na cruz, para tomar sobre si os pecados da multidão.

Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo.
José Carlos de Camargo
Presidente do Conselho Central de Jacareí

A Liberdade acaba com a Escravidão

Apenas para recordar um fato real acontecido aqui no Brasil na época do descobrimento e que nos envergonha até os dias atuais, aconteceu justamente com o povo africano, que forçosamente vinham para estas terras na condição de escravos.
O que significa ser escravo?
Escravo é aquele que está subordinado a um senhor, como propriedade dele.
Quem vive nas drogas, é escravo dela.
Quem vive no álcool, é escravo dele.
Quem vive no adultério, é escravo dele.
Para todas as situações de escravidão, seja qual for, é necessário buscar libertação.
Se não fosse assim os nossos irmãos africanos estariam sofrendo até hoje.
Lendo as Sagradas Escrituras, exatamente no livro do Êxodo, entendi como os hebreus eram escravos de um governo que só oprimia e maltratava a todos, independente se eram homens, mulheres ou crianças.
Para libertá-los, Deus mandou Moisés, que os guiou pelo deserto, depois fez que todos eles atravessassem pelo mar vermelho e alcançassem a liberdade.
É até bonito e confortador ver como Deus Pai age em favor de seus filhos.
Sabem por quê? Simplesmente porque ama a todos indistintamente.
Fazendo uma análise mais atualizada, verificamos que a humanidade toda ainda continua na mesma situação de escravidão, só que desta vez somos escravos do pecado.
Esse tipo de escravo também está muito subordinado ao seu senhor, o demônio, satisfazendo as suas vontades, a quem serve sempre, tornando-se propriedade dele, ele peca feito louco e se afasta cada vez mais de Deus e de todas as suas graças e bênçãos.
Mais uma vez atento aos sofrimentos dos seus filhos, o Senhor Deus quis resgatar cada um em particular e disse ao Seu Filho primogênito: “Vai lá e salva todos para mim.”

Na humildade, atendendo a vontade do Pai, Jesus Cristo tornou-se libertação para o escravo do pecado. É por isso que Ele mesmo afirma: “Não vim chamar à conversão os justos, mas sim os pecadores.” Lc 5, 32.

Se os hebreus encontraram a liberdade ao atravessar o mar que era vermelho, também nós encontraremos a nossa libertação se formos ao encontro do Cristo Ressuscitado, cuja cruz também está manchada de vermelho, só que desta vez pelo seu preciosíssimo sangue.

Que todos nós saibamos reconhecer nossa indigna condição de pecadores e com coragem buscar o Sacramento da Reconciliação, para que esta quaresma não seja apenas mais uma data festiva, mas que por ela possamos buscar com toda a força do nosso coração, a cura e a redenção das nossas faltas e pecados e busquemos contritos uma verdadeira mudança de vida, libertando-nos de tudo que possa nos conduzir ao pecado e consequentemente à nossa condenação.

Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

José Carlos de Camargo
Presidente C C Jacareí

A celebração de Corpus Christi

A celebração de Corpus Christi

A nossa Igreja Católica Apostólica Romana celebra uma das datas mais importante e festiva do calendário religioso e espiritual, exclusivo do nosso povo cristão católico,
juntamente com toda a hierarquia e todo o Clero que estão diretamente ligados e subordinados a ela, precisamente no dia 23 deste mês.

Celebrar o Corpo de Cristo nessa data é tão importante quanto celebrar o nascimento de Jesus em Belém, ou até mesmo quando recordamos a flagelação e sacrifício enfrentados por Ele na cruz.
Em todas essas ocasiões, trata-se sempre da mesma pessoa: o único e verdadeiro Filho de Deus.

O mesmo Deus que é Pai é amor, graça, bondade, misericórdia, perdão, acolhimento e que na Sua infinita benevolência já havia se revelado em Espírito a Abraão e aos antigos profetas, não foi acreditado e nem levado a sério pelo povo da época.

Então, o nosso Deus Pai tomou a decisão de se fazer presente no mundo em forma corpórea, da mesma forma que os homens, para quem sabe acreditarem nele.
Através de uma seleção criteriosa, foi escolhida uma família adequada para gerar uma menina que pudesse no futuro executar o plano traçado.

Com aquela menina crescida e feita mulher especial, Deus Pai pode finalmente enviar o seu Espírito Santo e conceder àquela virgem a grande virtude de gerar em seu ventre o Deus Filho, feito homem, que por sinal nasceu longe da sua terra, já que seus pais tinham que cumprir uma ordem legal.

A história é muito rica de fatos concretos, verdadeiros e muitas vezes não prestamos atenção nela.
A primeira celebração do Corpo de Cristo aconteceu justamente na visita dos Reis Magos, pois foram eles os primeiros homens a se depararem pessoalmente com o Filho de Deus.

A Segunda foi no Templo na hora da apresentação de Jesus.
Se fossemos colocar todos os momentos reais aqui, este artigo seria muito pequeno.
Porém, o mais real e marcante de todos estes fatos concretos é aquele momento em que o Corpo de Cristo, descido da cruz é colocado sobre o colo da sua mãe.

Esta é a primeira celebração pública e coletiva de Corpus Christi.
Mas em tudo isso prevalece o grande amor do Pai e do Filho, que iluminados pelo Espírito Santo, decidiram marcar presença eterna na vida da humanidade.
Reunido com seus apóstolos Jesus instituiu a Eucaristia na fração do pão e do vinho, na certeza de que ali está o Seu Corpo e o Seu Sangue e isto é para se perpetuar a Sua memória.

Nos dias atuais, todos nós somos privilegiados em poder receber Jesus Cristo, da mesma forma como Zaqueu o recebeu, e o fazemos através da Sagrada Eucaristia.
Portanto, fica para cada um nós a responsabilidade de fazer acontecer na nossa vida e de nossos semelhantes a verdadeira alegria de celebrarmos diariamente, se quisermos, a verdadeira festa do Corpo de Cristo, que existe para a nossa salvação.

Como cristãos seguidores de Jesus e fiéis à nossa Igreja cumprem-nos o dever da participação na celebração, na festa e na liturgia dessa data muito forte e importante para todos nós.
Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

José Carlos de Camargo
Presidente do Conselho Central de Jacareí